Como Identificar Desconforto na Crise de Choro do Bebê
Revisão de especialista por Dr. José Eduardo Osteopata, osteopata pediátrico.
Escrito por Yasmin Caroline.
Em 18 de agosto de 2025 às 20h15
Dr. José Eduardo explica como interpretar os sinais e movimentos do bebê para identificar a causa do desconforto
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O choro do bebê é a forma mais direta que ele tem de comunicar suas necessidades e desconfortos. Para pais e mães, principalmente os de primeira viagem, entender o motivo desse choro pode parecer um desafio.
Nem sempre fome, sono ou fralda suja são as causas, e quando o choro persiste mesmo com essas necessidades atendidas, a angústia pode aumentar.
A boa notícia é que o choro vem acompanhado de outros sinais importantes, como os movimentos do bebê, que podem ajudar a identificar o que está causando o desconforto.
O Osteopata Pediátrico Dr. José Eduardo destaca que observar esses gestos é fundamental para decifrar a origem da crise e oferecer o alívio necessário.
Neste texto, você vai aprender a reconhecer os principais sinais e movimentos que indicam diferentes tipos de desconforto, além de entender quando é hora de buscar ajuda profissional para garantir o bem-estar do seu filho.
Entendendo a Linguagem do Choro e dos Movimentos do Bebê
Identificar o motivo do choro do bebê vai muito além do volume ou do tipo de som que ele emite. De acordo com o Dr. José Eduardo, o movimento do corpo durante o choro é um aliado valioso nessa interpretação.
Ele divide o corpo do bebê em duas áreas para facilitar a observação: a parte superior (tronco, braços e cabeça) e a parte inferior (pernas e região abdominal). Cada uma dessas áreas pode indicar diferentes causas do desconforto quando o bebê chora e se movimenta.
Movimentos e Desconfortos: O Que Cada Parte do Corpo Revela?
Refluxo
Quando o bebê sofre com refluxo, é comum que ele se movimente mais a parte superior do corpo. Você poderá notar que ele estica o tronco para trás, joga a cabeça para trás e mexe bastante os braços, além de girar a cabeça com frequência. Esses movimentos são uma tentativa de aliviar a sensação incômoda no esôfago, causada pelo retorno do conteúdo do estômago para a boca.
Gases, Cólicas e Disquesia
Nesses casos, os movimentos predominantes acontecem na parte inferior do corpo. O bebê pode mexer bastante as pernas, dobrando e esticando-as como se estivesse pedalando. Esse movimento ajuda a aliviar a pressão da barriga estufada, que é a principal causa da dor. Além disso, esses movimentos favorecem o trânsito intestinal, essencial para aliviar a dificuldade na evacuação — conhecida como disquesia.
Diferenciando os Tipos de Choro
Além dos movimentos, o próprio tipo de choro pode dar pistas importantes. No entanto, o repertório de sons do bebê ainda está em desenvolvimento, o que exige muita atenção e observação por parte dos pais.
Choro de fome: Começa suave e rítmico, aumentando de intensidade e urgência se a necessidade não for atendida. O bebê pode virar a cabeça em busca do seio ou mamadeira e levar as mãos à boca.
Choro de sono: Geralmente mais manhoso, menos intenso, acompanhado de bocejos e esfregar dos olhos.
Choro de fralda suja: Varia, mas geralmente vem acompanhado de inquietação e pode diminuir após a troca.
Choro de cólica: Intenso, agudo e inconsolável. O bebê pode encolher as pernas, fechar os punhos e apresentar rosto avermelhado. Costuma ocorrer no final da tarde ou à noite.
Choro de gases: Intermitente, com contorções e barriga inchada. O bebê estica e encolhe as pernas buscando alívio, geralmente acaba com colo e sucção nutritiva.
Choro de refluxo: Pode ocorrer durante ou logo após a mamada, acompanhado de arqueamento das costas, engasgos e aparente dor ao engolir, o colo geralmente trás conforto.
Choro de disquesia: Durante o esforço para evacuar, com choro, força e rosto vermelho, mas as fezes podem estar normais, melhora com colo e posição de higiene natural.
Choro de dor: Geralmente agudo, imediato à causa da dor, e pode persistir com irritabilidade.
Como Aplicar essas Observações no Dia a Dia
Para identificar o desconforto do seu bebê, observe atentamente os momentos de choro e os movimentos predominantes, buscando entender se a parte superior ou inferior do corpo está mais ativa. Considere também:
Horário do choro: Cólicas têm horários mais regulares.
Alimentação: Refluxo está relacionado à mamada.
Eliminação: Disquesia ocorre durante o esforço para evacuar.
Estado geral: Observe irritabilidade entre as crises, dificuldade para dormir e alterações no apetite.
Combinando esses dados, você terá pistas mais claras sobre o que pode estar causando o desconforto do seu filho.
Quando Procurar Ajuda Profissional
A observação atenta dos sinais é essencial, mas há situações que exigem avaliação médica. Procure o pediatra se o choro for persistente e intenso, especialmente se vier acompanhado de:
Febre
- Vômito em jato
- Sangue nas fezes
- Dificuldade para respirar
- Recusa alimentar
O pediatra fará o diagnóstico correto e indicará o tratamento adequado. Em alguns casos, a osteopatia pediátrica pode ser uma abordagem complementar para aliviar desconfortos como cólicas e refluxo.
Conclusão
O choro do bebê é um convite constante para a atenção e o cuidado dos pais. O Dr. José Eduardo reforça que, além de ouvir o som, observar os movimentos do bebê durante a crise é fundamental para identificar a origem do desconforto.
Ao perceber se a agitação está mais concentrada na parte superior ou inferior do corpo, você poderá ter pistas importantes para oferecer o alívio adequado. Combine essa observação com o tipo de choro e o contexto para entender melhor as necessidades do seu bebê.
Lembre-se: cada bebê é único e a paciência é essencial nessa jornada de aprendizado. Quando houver dúvidas ou sinais preocupantes, não hesite em buscar orientação profissional para garantir o conforto e o bem-estar do seu filho. Um abraço carinhoso da equipe Genuína Conexão! ♥